A cair na real

Nos primeiros dias de infantário a coisa vinha muito fácil. Era “até logo mãe” e não havia stress.
Ontem já começou a perguntar “vais-te embora?”.
Hoje foi o choro e os gritos.
Parece que começou a cair na realidade de que isto vai ser sempre assim e o facto de estarem outros tantos miúdos a chorar também não ajuda nada.
“O Santi é muito independente” , “é um despachadão”, tudo e mais alguma coisa mas quando chega a hora de despedir-se da mãe volta a ser o pequenino de chucha e fralda.
Não consigo ir embora sabendo que está lá aos berros. Fico mais um pouco e mais um pouco até que já não há pais e tenho que desaparecer para não desestabilizar a aula.
A adaptação do infantário em Portugal é um bocado cruel. Não há aqui vários dias de aulas de adaptação com pais.  É o primeiro dia até às 12 e no dia a seguir já têm que ser crescidos.
Nada fácil.
Tudo indica que a partir de hoje será o pai a levá-lo de manhã para evitar estas cenas. Pode ser que resulte 😉

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…e assim começou o ano letivo

Chegou Setembro. Fomos de férias, aprendemos a andar na prancha de stand up paddle, apanhamos muito sol, mergulhamos na agua quentinha do Algarve e, assim que voltamos, começaram as aulas.
O mais velho mudou de escola e o pequenino entrou no infantário. É tudo novo e tenho muita esperança de que o mais velho se sinta bem neste espaço. Na outra escola nunca esteve feliz. Vamos ver se é desta que encontra o seu cantinho.
O mais pequenino entrou no infantário como se lá tivesse ido toda a vida. Depois de quase 3 anos comigo, entra e sai das salas, fala com as pessoas e quando chega a altura de despedir-me não há stress nenhum. Maravilha!
Vamos ver se hoje, depois de experimentar o horário inteiro, continua com a mesma atitude.
Nem todos têm a sorte de ficar contentes na escola. Na salinha dele havia uma miúda a gritar e a chorar desconsoladamente, tanto ontem como hoje.
Que difícil ser pai/mãe e ter que deixar o seu rebento aos gritos!

Hoje, depois de muitos dias de não aparecer pelo blog por não contar com um segundo disponível, volto a encontrar o silêncio em casa e o tempo para o trabalho.
Com a sensação de missão cumprida de ter ficado com o pequenino estes anos, começo este período cheia de ilusão a pensar em novos projetos na música e outras áreas.
Vamos a isso!

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Mais horas e menos tempo

Estou a adorar este tempo de férias dos miúdos. A liberdade de horários, de atividades, não ter que estudar.
Hoje foi o dia de encomendar os livros escolares por internet. Fiquei pasmada quando vi a diferença de preços entre os anos anteriores e este.
No 4º ano paguei 80 euros de livros e este ano, 200 euros.
Comecei a recordar quando eu estava na primária. Usávamos manuais e escrevíamos todos os exercícios no caderno ou pasta. Tínhamos um manual de castelhano e outro de matemática. Dos outros livros não me lembro mas imagino que teríamos algum de história e geografia. Estudo do meio não existia.
Os manuais eram de consulta e não para escrever.
Eu só ia à escola meio dia e havia tempo para escrever tudo o que era preciso. Não havia livros de atividades.
Muitas vezes pergunto-me porque é que com tantas horas de escola em Portugal é preciso comprar um milhão de livros de fichas, quando nós escrevíamos tudo em menos tempo. Será pelo conteúdo anormal dos currículos? Será que a organização do tempo não está bem pensada?
Estou cheia de curiosidade de como será este ano escolar. O meu filho mais velho entra no 5º ano e muda de escola, vai ser tudo novo. O meu outro pequenino entra no infantário e vai ser uma aventura.
Entre tanto, ainda temos quase um mês para aproveitar o tempo livre e a praia, as carreirinhas no mar e a prancha nova de stand up paddle.
Setembro espera-me no Algarve. Está quase!

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Trabalho e maternidade

Nunca ouvi ninguém a perguntar a um homem como se arranja para trabalhar desde que tem filhos, mas é uma pergunta muito habitual entre as mulheres.
Para mim tem sido um desafio enorme conseguir algum equilíbrio porque gosto de ficar com os meus filhos até aos 3 anos. Além disso, costumo pôr os miúdos sempre em primeiro lugar e quando me lembro de tratar de mim já não há tempo.
Trabalhar em casa com miúdos a precisar de atenção é uma missão que parece impossível.

O equilíbrio na maternidade tem um nome: empregada (ou creche ou o que for). Ou seja, o equilíbrio encontra-se quando se deixa o cuidado das crianças nas mãos de outra pessoa.
Uma mãe faz malabarismos quando tenta enviar um mail ao mesmo tempo que o filho pede para fazer um puzzle, ou quando tenta ter uma conversa telefónica enquanto o miúdo faz barulho.  Já tive que desmarcar uma reunião por Skype porque ao meu filho não lhe apeteceu dormir sesta nesse dia, ficando eu sem esse tempo disponível para trabalhar.

Portanto, acho que não existe o equilíbrio real. Só existe dar o cuidado deles a outra pessoa para podermos trabalhar.

O meu filho mais novo começa o infantário em Setembro e eu já estou a fazer uma lista da quantidade de coisas que vou voltar a fazer.  Não me arrependo nada de ter ficado com ele este tempo mas uma coisa é certa: ninguém disse que era fácil.

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Lugares de sonho em Portugal

Quando chega o verão e o tempo bom começo a pensar na quantidade de sítios pendentes que tenho para conhecer em Portugal mas acabo por ir sempre à praia para aproveitar o mar nesta altura de calor.
Há tantos lugares maravilhosos para conhecer, tanto em Portugal continental como nas ilhas, que decidi agora fazer uma pequena lista, que partilho aqui convosco. Pode ser que vocês também tenham destinos para recomendar-me.

Lagoa das Sete cidades
https://www.guiadacidade.pt/es/poi-lagoa-das-sete-cidades-18513

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Parque Nacional Peneda Gerês
http://www.geira.pt/pnpg/trilhos.html

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Grutas Mira de aire
http://www.grutasmiradaire.com/pt/39/formacao-das-grutas

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Aldeias de xisto
http://aldeiasdoxisto.pt/category/geografia

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Pessoas com filhos são mais tolerantes?

Sempre digo que as pessoas que lidam com crianças no dia a dia têm mais flexibilidade e paciência do que aquelas que não o fazem.
Ter filhos desestrutura qualquer pessoa.
Quando nascem podem ser uma paz de alma ou uma dor de cabeça. Dormir bem ou dormir pouquíssimo, deixando os pais desnorteados.
Se temos que sair para fazer alguma coisa, quando estamos sozinhos demoramos determinado tempo, quando estamos com crianças demoramos muito mais. Os miúdos correm para um lado, para outro, agarram coisas do chão, pegam em coisas que não queremos comprar e gritam se dissermos que não.
Conseguir chegar a horas à escola parece uma missão impossível. Eles têm sempre mais qualquer coisa para fazer antes de sair.
Se vamos fazer um programa qualquer, quando temos filhos, temos que ter baby-sitter ou levar aos avós, lembrar de pôr tudo o que é preciso na malinha deles (mesmo que seja por 4 horas): chucha, fraldas, brinquedo preferido, chapéu, etc.
Eles fazem perguntas a toda hora, interrompem conversas, não vão dormir quando nos dá jeito, brigam por insignificâncias, choram por tudo e querem sempre mais uma vez no escorrega. Mesmo que deslizem mais 30 vezes no escorrega, vão chorar quando saírem.
Tudo isto faz com que a paciência seja muito desenvolvida em pessoas que lidam com crianças. São menos picuinhas, mais tolerantes com a imperfeição.
Nesta época de redes sociais, em que toda a gente critica desde o seu cantinho virtual, seria bom que todos tivéssemos que lidar com crianças algumas vezes para aprender a aceitar a imperfeição nas outras pessoas e em nós próprios.

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Ter amigos é tão bom

A amizade é um tema em que tenho reflectido muito desde que vivo em Portugal.
Venho de um país muito amistoso. A amizade na Argentina é quase como um alimento essencial para as pessoas.
Muitas vezes os portugueses perguntam-me em que são diferentes dos argentinos. Até já me perguntaram se lá são mais “calientes”. Não é nada disso.
Acho que tem a ver com a forma como as pessoas se relacionam. Talvez a palavra seja “proximidade”.
Na Argentina não temos muita necessidade de pôr uma máscara, fazendo de conta que temos uma vida perfeita. Com mais facilidade mostramos a nossa vida real e isso  aproxima-nos.
Quando podemos falar abertamente sobre a nossa vida, os laços que se criam são mais fortes.
Quando temos um encontro com alguém, onde não se partilham coisas pessoais, fica mais vazio e menos íntimo.
Já me aconteceu com alguns portugueses que, quando perceberam que comigo podiam falar à vontade, que não os ia julgar, ficaram logo mais próximos.
Há alguma preocupação com a fachada, com não mostrar a vulnerabilidade, com falar só do que está bem. Não é por acaso que oiço tanto aquela frase: “Está tudo bem? Isso é que é preciso.“
E se não estiver tudo bem? Não queres ouvir a minha resposta?

Ontem, o meu filho ficou em casa de uns amigos e a mãe, que é a minha amiga, enviou um sms a dizer: O teu filho é um amor, tão correto, tão considerado.
É claro que fiquei orgulhosa mas sei que isso tem muito a ver com a minha forma argentina de ser. Desde pequenino que lhe ensino o valor da amizade e o respeito pelas relações humanas. Ele é um miúdo que tem saudades dos amigos nas férias, ou quando vão morar fora do país. Sabe que, às vezes, é preciso pedir desculpas e desculpar os outros.  Que os outros podem enganar-se também mas passa-se por cima e continuam amigos. Sabe que não se diz “não sou mais o teu amigo” porque as relações  não acabam assim por qualquer coisa.

A amizade é das coisas mais lindas que temos neste mundo. Seria bom abrir mais as portas e tirar a máscara para podermos ter relações mais verdadeiras.

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