Trabalho e maternidade

Nunca ouvi ninguém a perguntar a um homem como se arranja para trabalhar desde que tem filhos, mas é uma pergunta muito habitual entre as mulheres.
Para mim tem sido um desafio enorme conseguir algum equilíbrio porque gosto de ficar com os meus filhos até aos 3 anos. Além disso, costumo pôr os miúdos sempre em primeiro lugar e quando me lembro de tratar de mim já não há tempo.
Trabalhar em casa com miúdos a precisar de atenção é uma missão que parece impossível.

O equilíbrio na maternidade tem um nome: empregada (ou creche ou o que for). Ou seja, o equilíbrio encontra-se quando se deixa o cuidado das crianças nas mãos de outra pessoa.
Uma mãe faz malabarismos quando tenta enviar um mail ao mesmo tempo que o filho pede para fazer um puzzle, ou quando tenta ter uma conversa telefónica enquanto o miúdo faz barulho.  Já tive que desmarcar uma reunião por Skype porque ao meu filho não lhe apeteceu dormir sesta nesse dia, ficando eu sem esse tempo disponível para trabalhar.

Portanto, acho que não existe o equilíbrio real. Só existe dar o cuidado deles a outra pessoa para podermos trabalhar.

O meu filho mais novo começa o infantário em Setembro e eu já estou a fazer uma lista da quantidade de coisas que vou voltar a fazer.  Não me arrependo nada de ter ficado com ele este tempo mas uma coisa é certa: ninguém disse que era fácil.

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Lugares de sonho em Portugal

Quando chega o verão e o tempo bom começo a pensar na quantidade de sítios pendentes que tenho para conhecer em Portugal mas acabo por ir sempre à praia para aproveitar o mar nesta altura de calor.
Há tantos lugares maravilhosos para conhecer, tanto em Portugal continental como nas ilhas, que decidi agora fazer uma pequena lista, que partilho aqui convosco. Pode ser que vocês também tenham destinos para recomendar-me.

Lagoa das Sete cidades
https://www.guiadacidade.pt/es/poi-lagoa-das-sete-cidades-18513

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Parque Nacional Peneda Gerês
http://www.geira.pt/pnpg/trilhos.html

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Grutas Mira de aire
http://www.grutasmiradaire.com/pt/39/formacao-das-grutas

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Aldeias de xisto
http://aldeiasdoxisto.pt/category/geografia

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Pessoas com filhos são mais tolerantes?

Sempre digo que as pessoas que lidam com crianças no dia a dia têm mais flexibilidade e paciência do que aquelas que não o fazem.
Ter filhos desestrutura qualquer pessoa.
Quando nascem podem ser uma paz de alma ou uma dor de cabeça. Dormir bem ou dormir pouquíssimo, deixando os pais desnorteados.
Se temos que sair para fazer alguma coisa, quando estamos sozinhos demoramos determinado tempo, quando estamos com crianças demoramos muito mais. Os miúdos correm para um lado, para outro, agarram coisas do chão, pegam em coisas que não queremos comprar e gritam se dissermos que não.
Conseguir chegar a horas à escola parece uma missão impossível. Eles têm sempre mais qualquer coisa para fazer antes de sair.
Se vamos fazer um programa qualquer, quando temos filhos, temos que ter baby-sitter ou levar aos avós, lembrar de pôr tudo o que é preciso na malinha deles (mesmo que seja por 4 horas): chucha, fraldas, brinquedo preferido, chapéu, etc.
Eles fazem perguntas a toda hora, interrompem conversas, não vão dormir quando nos dá jeito, brigam por insignificâncias, choram por tudo e querem sempre mais uma vez no escorrega. Mesmo que deslizem mais 30 vezes no escorrega, vão chorar quando saírem.
Tudo isto faz com que a paciência seja muito desenvolvida em pessoas que lidam com crianças. São menos picuinhas, mais tolerantes com a imperfeição.
Nesta época de redes sociais, em que toda a gente critica desde o seu cantinho virtual, seria bom que todos tivéssemos que lidar com crianças algumas vezes para aprender a aceitar a imperfeição nas outras pessoas e em nós próprios.

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Ter amigos é tão bom

A amizade é um tema em que tenho reflectido muito desde que vivo em Portugal.
Venho de um país muito amistoso. A amizade na Argentina é quase como um alimento essencial para as pessoas.
Muitas vezes os portugueses perguntam-me em que são diferentes dos argentinos. Até já me perguntaram se lá são mais “calientes”. Não é nada disso.
Acho que tem a ver com a forma como as pessoas se relacionam. Talvez a palavra seja “proximidade”.
Na Argentina não temos muita necessidade de pôr uma máscara, fazendo de conta que temos uma vida perfeita. Com mais facilidade mostramos a nossa vida real e isso  aproxima-nos.
Quando podemos falar abertamente sobre a nossa vida, os laços que se criam são mais fortes.
Quando temos um encontro com alguém, onde não se partilham coisas pessoais, fica mais vazio e menos íntimo.
Já me aconteceu com alguns portugueses que, quando perceberam que comigo podiam falar à vontade, que não os ia julgar, ficaram logo mais próximos.
Há alguma preocupação com a fachada, com não mostrar a vulnerabilidade, com falar só do que está bem. Não é por acaso que oiço tanto aquela frase: “Está tudo bem? Isso é que é preciso.“
E se não estiver tudo bem? Não queres ouvir a minha resposta?

Ontem, o meu filho ficou em casa de uns amigos e a mãe, que é a minha amiga, enviou um sms a dizer: O teu filho é um amor, tão correto, tão considerado.
É claro que fiquei orgulhosa mas sei que isso tem muito a ver com a minha forma argentina de ser. Desde pequenino que lhe ensino o valor da amizade e o respeito pelas relações humanas. Ele é um miúdo que tem saudades dos amigos nas férias, ou quando vão morar fora do país. Sabe que, às vezes, é preciso pedir desculpas e desculpar os outros.  Que os outros podem enganar-se também mas passa-se por cima e continuam amigos. Sabe que não se diz “não sou mais o teu amigo” porque as relações  não acabam assim por qualquer coisa.

A amizade é das coisas mais lindas que temos neste mundo. Seria bom abrir mais as portas e tirar a máscara para podermos ter relações mais verdadeiras.

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Miúdos felizes

Cada vez mais, os pais têm a preocupação de que os filhos vivam felizes. Para isso, inventam tudo e mais alguma coisa e compram tudo o que eles quiserem, com tal de ver as carinhas sorridentes.
Quando comecei a educar o meu filho percebi que me interessava muito o tema e tento adotar costumes que gosto da Argentina e outros que gosto de Portugal, mas nem sempre consigo pôr em prática os costumes de lá, aqui.
Uma coisa é certa: os miúdos não precisam de tantas coisas nem de tantas atividades. Eles só precisam de tempo livre para estar bem. Se além de tempo tiverem amigos fica melhor ainda.
Muito simples. Tempo.
Para andar de bicicleta, para correr atrás da bola, para INVENTAR! Para ler, desenhar o que lhes apetece e descobrir coisas novas.
Eu não sei o que mudou tanto ao longo dos anos, mas tenho a impressão de que nós tinhamos mais tempo quando éramos crianças.
Será que os pais ganhavam mais dinheiro e não era preciso trabalhar tanto?
Será que não era preciso comprar tantas playstations e tablets e pagar tantas atividades extra-escolares e por isso havia tempo para estar com eles, em vez de estar no trabalho?
Acho que Portugal é um bom sítio para criar filhos. É seguro, tranquilo, um bom clima… só faltaria o Tempo.
Já conheci mães com receio de dar tempo livre aos filhos ou de tirá-los das suas rotinas. É engraçado como algo que para alguém pode ser mau, para outro pode ser o contrário.
Por exemplo, eu adoro tirar o meu filho da sua rotina escolar, convidando amigos para casa depois da escola. Fazem os TPC juntos, brincam, têm um momento diferente, fora da escola, onde se relacionam de outra forma.
É preciso descomplicar e pensar no que é realmente importante para poder transformar o pouco tempo disponível em tempo de qualidade. Eles não necessitam de grandes produções.
Pode ser que, quando forem adultos, já não se lembrem se, em crianças, fizeram um curso de culinária num sábado de manhã, mas vão lembrar-se das relações que estableceram e das tardes inteiras de brincadeiras com amigos.

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Quarto partilhado ou cada um no seu?

Há que tempos que estou a pensar nisto e não chego a uma conclusão.
Por um lado, sei que eles adorariam dormir no mesmo quarto. Por outro, meter todos os brinquedos no mesmo sítio vai ser obra. Têm 7 anos de diferença. O mais velho (10) precisa de silêncio para estudar durante o período escolar e também para estar com os seus amigos. O pequenino (2 anos e 8 meses) ainda dorme sestas gigantes e teria menos acesso ao quarto quando o outro está com amigos (que é costume, cá em casa) .
Ultimamente tem dormido mal, a chamar de noite e vem para a nossa cama. Tudo isso pode criar um sono instável ao mais velho, durante a época de aulas.
Mas por outro lado, imagino que dormir no mesmo quarto deve criar aquela cumplicidade de irmãos que é muito gira, além de aprender a partilhar o espaço.
O que faço?

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Atelier de verão para as crianças

Nos últimos anos tenho escolhido um par de semanas de atividades de verão para o meu filho mais velho. Costumo procurar que sejam de desporto e ao ar livre, mas este ano achei muito interessante um atelier chamado “The inventors”. Não é desporto nem é ao ar livre mas ele gostou muito e ainda tem o resto do verão para estar cá fora na piscina, praia ou onde quiser.
O programa que o Juan fez chama-se Leonardo Da Vinci e  inclui electrónica analógica, stop motion e até um spinner (que era o mais esperado por eles)
Recomendo para aqueles miúdos curiosos que acham piada saber como se fazem as coisas.
Mais informação sobre os programas disponíveis:  https://theinventors.io/verao-2017/

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