O meu filho não se porta bem

O meu filho gosta de falar, não está quieto na aula. Ele gosta de ler livros com histórias malucas e pensar nas maluquices que poderá fazer um dia.
Ele distrai-se com facilidade quando algo não lhe interessa, quase sempre nas aulas da escola.

Gosta de escrever os seus contos e gosta de escrever o que imagina e não o que os outros querem que escreva.
No dia da mãe ofereceu-me um postal com um poema, que percebi logo não tinha sido pensado por ele. Fiquei com pena, ele escreve bem e podia ter escrito palavras sinceras para mim, mas essas palavras foram trocadas por outras que a professora decidiu e que não tinham nada a ver com o meu filho. Nem sequer pôde escolher o que me queria dizer no dia da mãe.

Portar-se bem é estar quieto. É não falar. É fazer o que todos fazem sem questionar.
Miúdos que se portam bem obedecem à primeira às ordens da mãe, sem hesitar. É possível que esses miúdos sejam um dia bons empregados numa empresa.

Eu não quero um filho bem-comportado. Quero que ele me questione quando precisar e que me dê outras opções, se as tiver. Foi assim que o ensinei. Por ser estrangeira, percebi que coisas que são boas num país, podem ser más noutro. O que é bem-visto aqui, é feio na Argentina. Tudo é relativo e é isso que tento passar aos meus filhos.
Ser inquieto, distraído ou falador não me preocupa. Portar-se bem para mim é outra coisa: é ser atento, paciente com os outros e com a diferença, ser bom amigo e ajudar os outros.
Se tivermos isso em conta, então fico tranquila. O meu filho porta-se bem.

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