Pessoas com filhos são mais tolerantes?

Sempre digo que as pessoas que lidam com crianças no dia a dia têm mais flexibilidade e paciência do que aquelas que não o fazem.
Ter filhos desestrutura qualquer pessoa.
Quando nascem podem ser uma paz de alma ou uma dor de cabeça. Dormir bem ou dormir pouquíssimo, deixando os pais desnorteados.
Se temos que sair para fazer alguma coisa, quando estamos sozinhos demoramos determinado tempo, quando estamos com crianças demoramos muito mais. Os miúdos correm para um lado, para outro, agarram coisas do chão, pegam em coisas que não queremos comprar e gritam se dissermos que não.
Conseguir chegar a horas à escola parece uma missão impossível. Eles têm sempre mais qualquer coisa para fazer antes de sair.
Se vamos fazer um programa qualquer, quando temos filhos, temos que ter baby-sitter ou levar aos avós, lembrar de pôr tudo o que é preciso na malinha deles (mesmo que seja por 4 horas): chucha, fraldas, brinquedo preferido, chapéu, etc.
Eles fazem perguntas a toda hora, interrompem conversas, não vão dormir quando nos dá jeito, brigam por insignificâncias, choram por tudo e querem sempre mais uma vez no escorrega. Mesmo que deslizem mais 30 vezes no escorrega, vão chorar quando saírem.
Tudo isto faz com que a paciência seja muito desenvolvida em pessoas que lidam com crianças. São menos picuinhas, mais tolerantes com a imperfeição.
Nesta época de redes sociais, em que toda a gente critica desde o seu cantinho virtual, seria bom que todos tivéssemos que lidar com crianças algumas vezes para aprender a aceitar a imperfeição nas outras pessoas e em nós próprios.

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Ter amigos é tão bom

A amizade é um tema em que tenho reflectido muito desde que vivo em Portugal.
Venho de um país muito amistoso. A amizade na Argentina é quase como um alimento essencial para as pessoas.
Muitas vezes os portugueses perguntam-me em que são diferentes dos argentinos. Até já me perguntaram se lá são mais “calientes”. Não é nada disso.
Acho que tem a ver com a forma como as pessoas se relacionam. Talvez a palavra seja “proximidade”.
Na Argentina não temos muita necessidade de pôr uma máscara, fazendo de conta que temos uma vida perfeita. Com mais facilidade mostramos a nossa vida real e isso  aproxima-nos.
Quando podemos falar abertamente sobre a nossa vida, os laços que se criam são mais fortes.
Quando temos um encontro com alguém, onde não se partilham coisas pessoais, fica mais vazio e menos íntimo.
Já me aconteceu com alguns portugueses que, quando perceberam que comigo podiam falar à vontade, que não os ia julgar, ficaram logo mais próximos.
Há alguma preocupação com a fachada, com não mostrar a vulnerabilidade, com falar só do que está bem. Não é por acaso que oiço tanto aquela frase: “Está tudo bem? Isso é que é preciso.“
E se não estiver tudo bem? Não queres ouvir a minha resposta?

Ontem, o meu filho ficou em casa de uns amigos e a mãe, que é a minha amiga, enviou um sms a dizer: O teu filho é um amor, tão correto, tão considerado.
É claro que fiquei orgulhosa mas sei que isso tem muito a ver com a minha forma argentina de ser. Desde pequenino que lhe ensino o valor da amizade e o respeito pelas relações humanas. Ele é um miúdo que tem saudades dos amigos nas férias, ou quando vão morar fora do país. Sabe que, às vezes, é preciso pedir desculpas e desculpar os outros.  Que os outros podem enganar-se também mas passa-se por cima e continuam amigos. Sabe que não se diz “não sou mais o teu amigo” porque as relações  não acabam assim por qualquer coisa.

A amizade é das coisas mais lindas que temos neste mundo. Seria bom abrir mais as portas e tirar a máscara para podermos ter relações mais verdadeiras.

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Miúdos felizes

Cada vez mais, os pais têm a preocupação de que os filhos vivam felizes. Para isso, inventam tudo e mais alguma coisa e compram tudo o que eles quiserem, com tal de ver as carinhas sorridentes.
Quando comecei a educar o meu filho percebi que me interessava muito o tema e tento adotar costumes que gosto da Argentina e outros que gosto de Portugal, mas nem sempre consigo pôr em prática os costumes de lá, aqui.
Uma coisa é certa: os miúdos não precisam de tantas coisas nem de tantas atividades. Eles só precisam de tempo livre para estar bem. Se além de tempo tiverem amigos fica melhor ainda.
Muito simples. Tempo.
Para andar de bicicleta, para correr atrás da bola, para INVENTAR! Para ler, desenhar o que lhes apetece e descobrir coisas novas.
Eu não sei o que mudou tanto ao longo dos anos, mas tenho a impressão de que nós tinhamos mais tempo quando éramos crianças.
Será que os pais ganhavam mais dinheiro e não era preciso trabalhar tanto?
Será que não era preciso comprar tantas playstations e tablets e pagar tantas atividades extra-escolares e por isso havia tempo para estar com eles, em vez de estar no trabalho?
Acho que Portugal é um bom sítio para criar filhos. É seguro, tranquilo, um bom clima… só faltaria o Tempo.
Já conheci mães com receio de dar tempo livre aos filhos ou de tirá-los das suas rotinas. É engraçado como algo que para alguém pode ser mau, para outro pode ser o contrário.
Por exemplo, eu adoro tirar o meu filho da sua rotina escolar, convidando amigos para casa depois da escola. Fazem os TPC juntos, brincam, têm um momento diferente, fora da escola, onde se relacionam de outra forma.
É preciso descomplicar e pensar no que é realmente importante para poder transformar o pouco tempo disponível em tempo de qualidade. Eles não necessitam de grandes produções.
Pode ser que, quando forem adultos, já não se lembrem se, em crianças, fizeram um curso de culinária num sábado de manhã, mas vão lembrar-se das relações que estableceram e das tardes inteiras de brincadeiras com amigos.

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Quarto partilhado ou cada um no seu?

Há que tempos que estou a pensar nisto e não chego a uma conclusão.
Por um lado, sei que eles adorariam dormir no mesmo quarto. Por outro, meter todos os brinquedos no mesmo sítio vai ser obra. Têm 7 anos de diferença. O mais velho (10) precisa de silêncio para estudar durante o período escolar e também para estar com os seus amigos. O pequenino (2 anos e 8 meses) ainda dorme sestas gigantes e teria menos acesso ao quarto quando o outro está com amigos (que é costume, cá em casa) .
Ultimamente tem dormido mal, a chamar de noite e vem para a nossa cama. Tudo isso pode criar um sono instável ao mais velho, durante a época de aulas.
Mas por outro lado, imagino que dormir no mesmo quarto deve criar aquela cumplicidade de irmãos que é muito gira, além de aprender a partilhar o espaço.
O que faço?

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Atelier de verão para as crianças

Nos últimos anos tenho escolhido um par de semanas de atividades de verão para o meu filho mais velho. Costumo procurar que sejam de desporto e ao ar livre, mas este ano achei muito interessante um atelier chamado “The inventors”. Não é desporto nem é ao ar livre mas ele gostou muito e ainda tem o resto do verão para estar cá fora na piscina, praia ou onde quiser.
O programa que o Juan fez chama-se Leonardo Da Vinci e  inclui electrónica analógica, stop motion e até um spinner (que era o mais esperado por eles)
Recomendo para aqueles miúdos curiosos que acham piada saber como se fazem as coisas.
Mais informação sobre os programas disponíveis:  https://theinventors.io/verao-2017/

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Cuidados com as crianças nas férias

Uma coisa que me chamou sempre a atenção em Portugal é o relax de muitos pais quando estão na praia ou em parques com as crianças.
Por ser de Buenos Aires, às vezes parece que tenho 10 olhos no corpo e todos os sentidos alertas quando tenho que cuidar uma criança num sítio público. Lá não convêm ficar desatento porque pode custar caro. Já nem tem a ver com perder a criança, o pior problema é que alguém pode levá-la de propósito.

Hoje encontrei um artigo sobre os cuidados a ter com os miúdos e achei interessante esta ideia:  Truque para nunca perder a sua criança numa multidão

Também esta disponível uma pulseira da PSP para identificar a criança quando alguém a encontra: Pulseira Estou aqui

No verão, só é preciso muita atenção e protector solar. O resto é viver o momento.
Boas férias!

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O meu filho não se porta bem

O meu filho gosta de falar, não está quieto na aula. Ele gosta de ler livros com histórias malucas e pensar nas maluquices que poderá fazer um dia.
Ele distrai-se com facilidade quando algo não lhe interessa, quase sempre nas aulas da escola.

Gosta de escrever os seus contos e gosta de escrever o que imagina e não o que os outros querem que escreva.
No dia da mãe ofereceu-me um postal com um poema, que percebi logo não tinha sido pensado por ele. Fiquei com pena, ele escreve bem e podia ter escrito palavras sinceras para mim, mas essas palavras foram trocadas por outras que a professora decidiu e que não tinham nada a ver com o meu filho. Nem sequer pôde escolher o que me queria dizer no dia da mãe.

Portar-se bem é estar quieto. É não falar. É fazer o que todos fazem sem questionar.
Miúdos que se portam bem obedecem à primeira às ordens da mãe, sem hesitar. É possível que esses miúdos sejam um dia bons empregados numa empresa.

Eu não quero um filho bem-comportado. Quero que ele me questione quando precisar e que me dê outras opções, se as tiver. Foi assim que o ensinei. Por ser estrangeira, percebi que coisas que são boas num país, podem ser más noutro. O que é bem-visto aqui, é feio na Argentina. Tudo é relativo e é isso que tento passar aos meus filhos.
Ser inquieto, distraído ou falador não me preocupa. Portar-se bem para mim é outra coisa: é ser atento, paciente com os outros e com a diferença, ser bom amigo e ajudar os outros.
Se tivermos isso em conta, então fico tranquila. O meu filho porta-se bem.

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